O POUSO DO “BUENOS AIRES” EM BARRA DO CUNHAÚ
O hidroavião em Barra do Cunhaú

O Projeto de um Herói da Aviação na Primeira Guerra Mundial
A ideia desta viagem tivera início em
1925 e tinha como objetivo abrir uma rota aérea para futuros voos com
passageiros. Os autores desta ideia foram os pilotos Eduardo Olivero, e
Bernardo Duggan.

uma missão para derrubar um balão de observação do tipo Draken. Documentos apontam que Olivero participou de 25 combates aéreos, em que derrubou nove aviões inimigos. No fim da guerra é promovido a capitão.
Entre o fim da Primeira Guerra e o ano
de 1924 Olivero participa de diversos raids aéreos na Argentina e
experiências de voo em grande altitude, visando um melhor aproveitamento
aéreo sobre a Cordilheira do Andes. Em uma delas sofreu um grave
acidente que lhe deixou sequelas. Em 1924 realiza diversas experiências
com radiofonia aérea. Em 1925 inicia os preparativos, junto com Duggan,
do Raid aéreo Nova York – Buenos Aires.
Por aqueles dias a incipiente rota Nova
York – Buenos Aires era uma das mais difíceis, recheada de
inconvenientes e problemas, principalmente diante das características
técnicas dos aviões existentes na época. Olivero e Duggan, concluíram
que, para terem um melhor êxito deveriam tentar repetir o trajeto
realizado pelo tenente do Corpo de Aviadores dos Estados Unidos, Walter
Hinton. Vale lembrar que Hinton, junto com o brasileiro Euclides Pinto
Martins, haviam partido, em 1922, da mesma Nova York, em direção ao Rio
de Janeiro, no hidroavião Curttis, batizado como “Sampaio Correa”, sendo
esta a primeira aeronave a voar sobre o território potiguar. O
americano, o brasileiro e mais três tripulantes conseguiram realizar o
seu intento, mesmo com muitos problemas.
Com os dados das viagens de Hinton, os
argentinos começaram a traçar a sua rota. Decidiram, como a maioria dos
aviadores da época, por utilizar um hidroavião. Concluíram que a
aeronave ideal seria o Savoia-Marchetti S 59.
Na Itália, acompanham a construção e
entrega de sua aeronave que contava com motores de 400hp de potência, a
portentosa velocidade máxima de 176 km/h, autonomia de 1.400 km e uma
carga de total de 900 litros de combustível. Isso tudo sem rádio e
outras máquinas de apoio ao voo.
Finalmente o hidroavião é completado com
as tradicionais cores nacionais argentinas e despachado através de
navio para Nova York. Neste momento junta-se aos dois argentinos Julio
Campanelli, executando o trabalho de mecânico.
Partindo da Terra do Tio Sam

Realizam várias provas e no dia 24 de
maio de 1926, decolam em direção sul, com a primeira parada será em
Chaleston, no estado da Carolina do Sul, depois Miami, seguindo para
Havana, em Cuba. Neste país passam ainda pelas cidades de Cienfuegos e
Guantanamo. Depois seguem para Porto Príncipe, no Haiti, aonde são
ovacionados por grandes multidões, depois Santo Domingo, na Republica
Dominicana, seguindo na seqüência para San Juan (Porto Rico), Ilhas
Virgens, Montserrat, Guadalupe, Martinica e Trinidad e Tobago. Neste
ponto deixam de sobrevoar as paradisíacas ilhas caribenhas e atingem a
América do Sul pela Guiana Inglesa (atual Guiana), chegando a capital
Gorgetown, depois Paramaribo, na Guiana Holandês (atual Suriname), em
seguida Caiena, na Guiana Francesa. A partir deste ponto ocorreria o
incidente mais grave de todo o trajeto.
Existem duas versões para o que aconteceu com o hidroavião ao sobrevoar o trecho Caiena – Belém.
Uma delas afirma que o “Buenos Aires”
teve um problema no motor e teve que pousar no Oceano Atlântico, de
frente as costas brasileiras, sendo resgatados por um pequeno barco
pesqueiro, o “Juruna”, que os reboca para uma ilha, na qual o mecânico
Camapanelli pode consertar a aeronave e seguirem para Belém.
A outra versão afirma que as faltas de
mapas detalhadas da região para uma melhor navegação, além de chuvas
torrenciais, fazem a tripulação do “Buenos Aires”, aparentemente, perder
seu rumo, pois os mesmos se vêm com uma completa falta de combustível,
tendo que pousar em um rio da região aonde os pilotos são resgatados
pelo mesmo “Juruna”. O certo é que durante alguns dias o mundo
desconhece o paradeiro dos três argentinos, preocupando todos que
acompanhavam o raid, Após os sete dias de parada eles seguem para Belém e
lá são recepcionados como heróis.
Na continuidade do seu trajeto no Brasil
seguiram a costa norte brasileira em direção ao Rio Grande do Norte e
no dia 11 de julho de 1926 pousam no Rio Curimataú, na praia
de Barra do Cunhaú. Mas apenas sobrevoaram Natal as 11:20 da manhã, do
dia 11 de julho de 1926.
A segunda aeronave em céus potiguares
Natal (30.000 habitantes na época)
possuía razoáveis serviços de apoio e o Rio Potengi era uma ótima opção
para pouso, mas provavelmente neste ponto de uma viagem já bem atrasada,
os aviadores tenham decidido utilizar os mesmos locais de pouso e
trajeto realizados no mês de janeiro do mesmo ano, pela tripulação
espanhola do Dornier Val “Plus Ulta”, que concluirá seu raid Espanha –
Argentina, em 10 de fevereiro de 1926. Apesar de Olivero e Duggan não
estarem na Argentina no momento da chegada dos espanhóis, foi repassado a
eles o roteiro dos pousos do aeroplano espanhol em terras brasileiras.
Nesse caso Recife, e não Natal, era o destino normal após a decolagem do
Ceará. Outra razão poderia ser creditada a falta de um conhecimento
mais apurado das qualidades de Natal como destino. Recife, por ser uma
cidade mais desenvolvida e conhecida no exterior naquele período, era o
destino mais correta para os pioneiros aviadores. Vale lembrar que o
raid dos aviadores portugueses Gago Coutinho e Sacadura Cabral, mesmo
após os acidentes ocorridos no trajeto, seguiram direto para Recife.
Quem tem a oportunidade de voar sobre a
costa potiguar, entre a
Natal e a fronteira da Paraíba, percebe que além
do Rio Potengi e da Lagoa de Guaraíras, o Rio Curimataú, que desemboca
em Barra do Cunhaú, é um dos melhores pontos para o pouso de um
hidroavião. Devido a estes fatos, parece-nos razoavelmente possível
acreditar que, neste período (primeira metade do ano de 1926), Natal
ainda não gozava de todo reconhecimento e prestígio no meio aviatório
mundial. Fato que mudaria consideravelmente já no ano de 1927.
Na bela região de Barra do Cunhaú os
aviadores receberam total apoio do coronel Luiz José Gomes (Major Lula), chefe político da época em Canguaretama, e só seguiram viagem na manha de 13
de julho. Eles partiram para Cabedelo, na Paraíba, depois Recife, Maceió
e Aracaju. Na sequência realizaram um percurso mais longo até a cidade
litorânea de Prado, na Bahia, pousando no rio Jucuruçu. De Prado, seguem
para o Rio de Janeiro, Santos, Cananéia, Florianópolis e Porto Alegre.
Na capital gaúcha Olivero recebe a
notícia que fora promovido a major do exército italiano. Apenas outra
jogada de marketing do histriônico ditador italiano Benito Mussolini,
aproveitando as manchetes mundiais sobre este voo.
Depois do Brasil, os argentinos seguem
para Montevidéu e depois a Buenos Aires. São escoltados na chegada pelo
hidroavião espanhol Dornier Val “Plus Ultra”, orbitam sobre a capital
Argentina e pousam com suavidade no Rio da Prata, tendo percorrido
14.856 km, em 114 horas de voo efetivo. A cidade parou para receber os
seus heróis, tendo muitas bandeiras nos edifícios e muitas autoridades
presentes no desembarque dos aviadores.
Atualmente o Museu do Forte
Independência, em Tandil, guarda peças históricas do mais importante
raid argentino de longa duração.
– Dedico este texto ao amigo German Zaunseder, compatriota dos aviadores do “Buenos Aires” e um grande pesquisador da aviação potiguar e da Segunda Guerra Mundial em Natal, cidade em que decidiu viver com muita satisfação.
Texto de autoria de Rostand Medeiros
Copiado do site Tok de História
https://tokdehistoria.com.br/2014/11/28/o-pouso-do-buenos-aires-em-barra-de-cunhau/
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